Antello Del Debbio

Antelo Del Debbio nasceu em 1901 em Viareggio, na província florentina, e imigrou para o Brasil com a família em 1904, estabelecendo-se em São Paulo. Seu pai trabalhou como construtor no escritório de Ramos de Azevedo, o que aproximou Del Debbio desde cedo do ambiente artístico e arquitetônico da cidade. Na década de 1920, ele retornou à Itália para estudar em Lucca e em Roma, na Scuola Dell’Arte della Medaglia, onde conheceu artistas como Fúlvio Pennachi. De volta ao Brasil, abriu uma galeria de arte funerária na Rua Cônego Eugênio Leite, que funcionou até os anos 1970, tornando-se referência na produção de esculturas e ornamentos tumulares.

Seu trabalho seguiu predominantemente a linha sacra, mas também apresentou elementos alegóricos. Produziu em série esculturas em bronze da Virgem e do Menino Jesus, Pietás, anjos e portinholas para criptas, atendendo tanto clientes comuns quanto aqueles que buscavam jazigos diferenciados. O estilo de Del Debbio pode ser considerado eclético, ora seguindo padrões acadêmicos, ora neoclássicos, e em alguns casos apresentando traços modernistas. Essa versatilidade o tornou o segundo artista com maior número de obras nos cemitérios paulistas, especialmente no Cemitério da Consolação, onde várias de suas esculturas foram tombadas pelo Condephaat.

Além da arte funerária, Del Debbio também se dedicou a monumentos públicos em granito e bronze, espalhados por praças e museus da cidade de São Paulo. Entre suas obras de destaque está o monumento Filhos de Bandeirantes, de 1956, e o relevo em gesso Revolução de 32, que mescla iconografia bélica e cristã, representando heroicamente o lado paulista do conflito e sugerindo São Paulo como alegoria do apóstolo homônimo. Essa obra revela sua ligação com o art déco e com as investigações formais da decoração no início do século XX.

A trajetória de Antelo Del Debbio evidencia a forte presença italiana na cultura paulistana, especialmente na arte cemiterial, que se tornou parte do cotidiano da cidade. Suas esculturas, muitas vezes familiares ao olhar, são testemunhos da contribuição dos imigrantes italianos para a memória e identidade de São Paulo. Ele faleceu em 1971, aos 70 anos, deixando um legado que une espiritualidade, tradição e modernismo, e que permanece vivo na arte e na história brasileira.


Algumas de suas obras no Cemitério da Consolação em São Paulo/SP:

CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO-ANTELO DEL DEBBIO
Alfonso Mormanno
Escultor Antelo Del Debbio
Américo Sammarone
Antônio S. Noschese


CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO-ANTELO DEL DEBBIO
Azer Maluf
CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO-ANTELO DEL DEBBIO-CALFAT
Calfat
Daud Constantino Cury
Demétrio Calfat
Escultor Antelo Del Debbio
Fanucchi
Fauzi Maluf
Família Fortunato
Fortunato Achilles
João Saad
Miguel Calfat
CEMITÉRIO DA CONSOLAÇÃO-ANTELO DEL DEBBIO
Nasri George Zeido
Rizkalah Jorge
Schahin
Theophilo Estefno
Thomaz M. Soubihe

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