A origem de sua obsessão pelos volumes que carregava foi, por muito tempo, tratada como uma lenda urbana. Dizia-se que, no final dos anos 60, Carlota teria sido abandonada pelo noivo e que os pacotes representavam o enxoval e os presentes de um casamento que nunca aconteceu. O que parecia ser apenas um folclore local ganhou contornos de realidade após seu falecimento, quando foi encontrado em seus pertences um jornal antigo preservado sob sua cama, contendo o edital de proclama de seu matrimônio jamais realizado. Esse achado confirmou que o peso que ela carregava pelos braços e pelas ruas era, na verdade, o peso simbólico de um sonho interrompido que ela se recusava a deixar para trás.
Os últimos anos de sua vida foram marcados por um isolamento ainda maior. Após sofrer um atropelamento que comprometeu sua mobilidade, Carlota viveu quase uma década acamada em uma pensão, vindo a falecer em 5 de janeiro de 2009, aos 84 anos. Sua história trágica e sua figura icônica não caíram no esquecimento; pelo contrário, Maria dos Pacotes tornou-se fonte de inspiração para diversos artistas jundiaienses, resultando em livros, homenagens e até uma exposição dedicada à sua memória na Pinacoteca Municipal em 2019. Hoje, ela repousa em um túmulo simples e discreto, localizado estrategicamente na rua principal da entrada do Cemitério Nossa Senhora do Desterro, permanecendo como um símbolo eterno da memória afetiva e das dores ocultas que compõem a história de Jundiaí.
Principal atividade ou função histórica: Figura popular
Nascimento: 5 de agosto de 1923
Falecimento: 5 de janeiro de 2009
Localização: Quadra 2 - Cemitério Nossa Senhora do Desterro
Descrição do jazigo: Sepultura rasteira de alvenaria com acabamento em cimento aparente. A estrutura retangular apresenta sinais do tempo e desgaste natural, sem revestimentos ou adornos arquitetônicos complexos. Na cabeceira, sobre o bloco de concreto, repousa um pequeno vaso com flores coloridas e um porta-retrato que guarda uma fotografia de Carlota, servindo como única identificação visual da homenageada. O jazigo, localizado ao nível do solo, reflete a simplicidade da figura que, embora tenha se tornado uma lenda urbana em Jundiaí, manteve uma existência discreta até o fim.
| Foto: Li Merlucci |







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