Ao retornar ao Brasil, Tarsila integrou o célebre Grupo dos Cinco, unindo-se a Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia. Embora não tenha participado presencialmente da Semana de Arte Moderna de 1922 por estar na Europa, ela se tornou o maior expoente da renovação estética que o movimento propunha. Sua trajetória é dividida em fases marcantes, começando pela fase Pau-Brasil, onde utilizou cores "caipiras" e formas geométricas para retratar a brasilidade de maneira moderna e vibrante.
O auge de sua ousadia estética ocorreu em 1928, quando pintou o "Abaporu" como um presente de aniversário para seu então marido, Oswald de Andrade. A obra, que retrata uma figura humana com pés e mãos agigantados, tornou-se o símbolo máximo do Movimento Antropofágico. Essa corrente defendia a "deglutição" das influências estrangeiras para a criação de uma arte essencialmente nacional, processo refletido em outras obras seminais como "A Negra" (1923) e "Antropofagia" (1929).
Na década de 1930, após viagens à União Soviética e diante da crise econômica, Tarsila redirecionou seu olhar para as questões humanas e políticas, inaugurando sua fase Social. O quadro "Operários" (1933) é o maior exemplo deste período, apresentando uma multidão de rostos diversos que simbolizam a classe trabalhadora e a crescente industrialização de São Paulo. Tarsila do Amaral faleceu na capital paulista em 17 de janeiro de 1973, aos 86 anos. Seu legado permanece como um dos pilares da arte latino-americana, sendo ela a artista que melhor soube "devorar" o mundo para nos devolver um Brasil autêntico, moderno e eterno.
Principal atividade ou função histórica: Pintora
Nascimento: 1º de setembro de 1886
Falecimento: 17 de janeiro de 1973
Localização: Quadra 36, terreno 46 - Cemitério da Consolação, São Paulo.
Descrição do jazigo: Base tumular em granito marrom polido apresenta linhas retas e limpas, sem qualquer ornamentação ou alegoria. Na parte frontal havia uma porta de bronze, posteriormente roubada, assim como o nome da família originalmente aplicado também em bronze, igualmente perdido devido às ondas de furtos que atingiram o cemitério. Essa ausência de elementos decorativos contrasta fortemente com a relevância da artista para a cultura e a arte brasileira, tornando o jazigo um símbolo silencioso da vulnerabilidade dos monumentos diante do tempo e da ação humana, ao mesmo tempo em que guarda a memória de uma das maiores figuras do modernismo nacional.







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