A fundação da Sudan Cigarette Factory, em 1912, marcou o início de um império no setor de tabaco. Localizada no Brás, bairro que fervilhava com a mão de obra imigrante e a fumaça das primeiras chaminés paulistanas, a fábrica rapidamente se destacou pela modernidade e capacidade produtiva. Sob a liderança de Sabbado, a Sudan tornou-se uma das principais indústrias da cidade, empregando centenas de trabalhadores e consolidando a marca como uma potência nacional. Esse sucesso empresarial elevou D’Angelo a uma posição de prestígio, transformando-o em uma figura central na colônia italiana e um símbolo da força econômica desse grupo na modernização de São Paulo.
Para além das fábricas, sua influência estendeu-se de forma indelével para a Zona Leste, especificamente para a região de Itaquera. Lá, ele estabeleceu sua residência em um majestoso casarão do século XIX, que funcionava como o coração de sua vasta propriedade rural. O Casarão Sabbado D’Angelo não era apenas uma moradia, mas um ponto de convergência social e cultural, representando a sofisticação da elite imigrante que começava a ocupar os arredores da capital. Sua presença no bairro foi um motor de desenvolvimento, influenciando o loteamento de terras e a criação de infraestrutura que transformariam Itaquera de uma área rural em um polo urbano essencial.
Sabbado D’Angelo faleceu em 1938, mas seu nome permaneceu vivo na geografia e na memória da cidade. Seu casarão, reconhecido pela importância arquitetônica e histórica, foi tombado pelo CONDEPHAAT em 2015, garantindo a preservação de um dos últimos vestígios das antigas chácaras paulistanas. Hoje, a trajetória de Sabbado é celebrada não apenas como a de um industrial bem-sucedido, mas como a de um agente transformador que uniu o empreendedorismo italiano ao progresso brasileiro, deixando um legado que sobrevive na estrutura urbana e no patrimônio histórico de São Paulo.
Principal atividade ou função histórica: Industrial
Nascimento: 17 de fevereiro de 1880
Falecimento: 8 de dezembro de 1938
Localização: Rua 37 - Terreno 22 - Cemitério da Consolação, São Paulo.
Descrição do jazigo: Criado pelo escultor Vicente de Laroca, é um monumento de grande imponência e valor artístico. Estruturado em granito negro e enriquecido por esculturas em bronze, organiza-se em três níveis que unem arquitetura e simbolismo religioso. Na base, o nome da família aparece em destaque, enquanto acima se desenvolve um conjunto escultórico que retrata figuras humanas em gestos de dor, oração, consolo e ternura — incluindo a cena de uma mãe com criança no colo e a representação de um Cristo crucificado em bronze sobre uma cruz de granito.
A composição é coroada por colunas que sustentam uma plataforma superior, onde dois anjos alados completam o conjunto como mensageiros celestiais. Em resumo, trata-se de uma obra que combina monumentalidade e espiritualidade, representando a união familiar e a transcendência da fé, transformando o espaço em um verdadeiro memorial artístico.
| Foto: Li Merlucci |
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