Giulio Starace

Giulio Starace, também conhecido como Julio Starace, foi um escultor de imensa relevância que personificou a transição da técnica clássica europeia para o cenário artístico brasileiro do início do século XX. Nascido em Giugliano, Nápoles, em 6 de abril de 1887, ele consolidou sua base artística na Real Academia de Belas Artes de Nápoles, onde foi discípulo do renomado Filippo Cifariello. Antes de cruzar o Atlântico, Starace já acumulava distinções na Itália, como o prêmio da Sociedade de Belas Artes “Salvador Rosa” e uma medalha de prata na Exposição Internacional de Arezzo. Em 1912, aos 25 anos e após uma breve passagem pela Argentina, fixou-se definitivamente em São Paulo, onde sua carreira floresceria em múltiplas frentes.

Sua integração à elite e às instituições brasileiras foi rápida; casou-se com Lady Bayeux, de uma tradicional família campineira, e tornou-se professor no Liceu de Artes e Ofícios, onde manteve seu ateliê por quase duas décadas. Adepto do neoclassicismo e do realismo, Starace dominava o trabalho em bronze, mármore e granito, materiais que utilizou para criar obras que se tornaram marcos urbanos. Sua produção é vastíssima e abrange desde bustos de figuras públicas até grandes monumentos em praças, como a célebre Fonte dos Amores e o conjunto "Minas ao Brasil" em Poços de Caldas, além do monumental Monumento à Civilização Mineira na Praça da Estação, em Belo Horizonte.

No campo da arte funerária, Starace elevou o nível estético das necrópoles paulistanas com obras de profunda carga simbólica e técnica refinada. Entre seus trabalhos mais notáveis nesse setor estão o túmulo do governador Bernardino de Campos, o mausoléu da família Salim Tauf Maluf e a capela em granito da família Souza Aranha. Suas participações em concursos públicos e exposições individuais, como as de 1913 e 1936, solidificaram sua reputação como um mestre da forma. Giulio Starace faleceu em São Paulo em 31 de março de 1952, deixando um legado duradouro que continua a marcar a paisagem cultural e histórica de São Paulo e Minas Gerais.


Principal atividade ou função histórica: Escultor
Nascimento: 6 de abril de 1887
Falecimento: 31 de março de 1952
Localização: Rua 35, Terrenos 17/19 - Cemitério da Consolação, São Paulo.

Descrição do jazigo: Obra imponente em alvenaria e argamassa, marcada por uma estética que remete ao estilo russo. Na fachada principal, o portal é sustentado por mãos francesas que formam um pórtico, onde está gravado o nome da família, protegendo a porta de entrada executada em bronze. As paredes elevadas são finalizadas por uma decoração angular com duas cruzes em cada canto, servindo de base para a ascensão de uma cúpula em gomos característica da tradição russa, coroada por uma cruz no topo. Ao nível do solo, estendem-se paredes adornadas por alegorias tumulares de grande complexidade, destacando-se guirlandas que simbolizam a vitória e conferem ao conjunto monumental uma profunda carga simbólica e decorativa. A obra, concebida por Ramos de Azevedo, une imponência arquitetônica e riqueza simbólica, tornando-se um marco de arte funerária singular.




Galeria de fotos: 
Foto Biblioteca digital Luso-Brasileira.
Foto Biblioteca digital Luso-Brasileira.

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