Ottone Zorlini

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Ottone Zorlini nasceu em Gorgo al Monticano, província de Treviso, em 20 de setembro de 1891. De origem humilde, foi o sexto de sete filhos de Ida Pigatti. Ainda jovem, estudou na Scuola di Plastica em Treviso e posteriormente na Academia de Belas Artes de Veneza, onde frequentou cursos noturnos de artes plásticas e modelo vivo. Trabalhou como ajudante no ateliê do escultor e ceramista Cacciapuoti, experiência que lhe deu sólida formação artesanal. Aos 13 anos já iniciava sua trajetória profissional em fábricas de cerâmica, o que lhe proporcionou contato precoce com técnicas que marcariam sua carreira .

Na década de 1920, Zorlini montou ateliês em Gênova e Treviso, realizando retratos e maquetes para monumentos públicos. Em 1927, mudou-se para o Brasil, atraído pela presença da colônia vêneta em São Paulo. Logo se destacou ao vencer a concorrência para erguer o Monumento aos Heróis da Travessia do Atlântico, em homenagem aos aviadores italianos, inicialmente instalado na represa de Guarapiranga e depois transferido para a Avenida Brasil, em São Paulo .

Em São Paulo, Zorlini instalou seu primeiro ateliê em 1929 e, ao longo das décadas seguintes, produziu intensamente. Criou esculturas, pinturas e cerâmicas, além de monumentos funerários e bustos. Frequentou os círculos artísticos da cidade, convivendo com nomes como Alfredo Volpi, Mário Zanini, Vittorio Gobbis e Fulvio Pennacchi, integrantes do chamado Grupo Santa Helena, que buscava uma expressão plástica livre e ligada ao cotidiano urbano e rural . Sua obra transitava entre o desenho espontâneo, a escultura monumental e a pintura intimista, sempre marcada por rigor técnico e sensibilidade.

Zorlini participou de diversas exposições individuais e coletivas, tanto na Itália quanto no Brasil, incluindo a Bienal de Veneza (1924), o Salão Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro e o Salão Paulista de Arte Moderna. Recebeu críticas elogiosas de figuras como Menotti Del Picchia e José Geraldo Vieira, que destacavam sua versatilidade e dedicação à arte. Mesmo após sua morte em 1967, sua legado foi celebrado em retrospectivas na Pinacoteca do Estado de São Paulo e no Museu de Arte Moderna, reafirmando sua importância na história das artes plásticas brasileiras .

Além de sua produção artística, Zorlini deixou influência direta em sua família: seu filho Giancarlo Zorlini também seguiu carreira como pintor. A obra de Ottone Zorlini é lembrada pela capacidade de unir tradição artesanal italiana com a vivência cultural brasileira, tornando-o um elo entre duas realidades artísticas. Sua trajetória mostra como artistas imigrantes contribuíram de forma decisiva para a formação da identidade cultural de São Paulo no século XX.


Única obra que encontrei no Cemitério da Consolação em São Paulo:


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Ismael Dias da Silva



Galeria de Fotos:

Ottone Zorlini atelie de ceramica em Treviso 1908.
Primeiro atelie de Ottone Zorlini em São Paulo, após sua chegada da Itália em 1929. 1933.
Catálogo de exposição individual realizado em 1936 na cidade de São Paulo - Brasil.

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