Frederico Nano - Maestro

Frederico Nano foi um dos maiores expoentes da música erudita e popular de Jundiaí, sendo carinhosamente apelidado por seus contemporâneos como o “Verdi Jundiaiense”. Nascido na cidade em 20 de agosto de 1898, Frederico herdou a inclinação musical de seu pai, o sanfoneiro João Nano. Desde cedo, revelou-se um talento precoce, o que o levou a buscar uma formação sólida em harmonia com mestres renomados como Francisco Ribeiro, Francisco Farina e José Bovolenta. Esses mentores prepararam o jovem clarinetista para uma carreira brilhante que uniria a regência de bandas de coreto à composição de peças sinfônicas e marchas comemorativas.

Sua trajetória como regente foi marcada pela liderança de importantes corporações musicais, incluindo as bandas Paulista, Ítalo-Brasileira (posteriormente União Brasileira), São João Batista e a União Cultural e Recreativa. Sob sua batuta, essas agremiações preenchiam a Vila Arens e o centro histórico de Jundiaí com retretas e procissões, tornando a música parte integrante do cotidiano da cidade. O prestígio do maestro cruzou as fronteiras municipais: em 1936, ele comandou a banda Ítalo em Campinas durante o centenário de Carlos Gomes e, em 1943, regeu concertos da União Brasileira transmitidos pela Rádio Tupi para todo o território nacional, projetando o nome de Jundiaí no cenário artístico brasileiro.

Como compositor, Frederico Nano deixou um acervo vasto e diversificado que reflete seu profundo vínculo com as personalidades e os eventos de sua época. Ele foi o autor da primeira sinfonia composta por um músico jundiaiense, intitulada "União Brasileira", dedicada ao contramaestro Orestes Pellicciari. Sua sensibilidade melódica transparece em valsas como "Ernesta" (homenagem à sua mãe), "Antonieta" (dedicada à sua esposa) e "Coração Bondoso". Além disso, suas marchas celebravam o progresso e a cultura local, como a marcha "Triunfo", composta para os viticultores durante a 2ª Festa da Uva, e homenagens a figuras como o jogador de futebol Romeu Pellicciari e o Dr. Antenor Soares Gandra.

O maestro faleceu em Campinas, em 10 de março de 1947, aos 48 anos, deixando um legado de dezenas de composições que variam de hinos ao trabalho, como "Labor Omnia Vincit", a profundas marchas fúnebres como "Lágrimas de Mãe". Sua contribuição para a identidade cultural de Jundiaí é imensurável, unindo a tradição das bandas de música à sofisticação da composição sinfônica. Em reconhecimento ao seu impacto histórico e artístico, a cidade imortalizou seu nome na Rua Maestro Frederico Nano, localizada no bairro da Vila Progresso, mantendo viva a memória do homem que foi a voz musical de sua geração.


Principal atividade ou função histórica:
Cultural
Nascimento: 20 de agosto de 1898
Sepultamento: 10 de março de 1947
Localização: Quadra 18 - Cemitério Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí Sp.
Descrição do jazigo: Sepultura de granito, com predominância do estilo modernista

(Fonte: Fumas/Jundiaí)

Foto: Li Merlucci

Galeria de fotos: 

Foto: Jundpédia.
Sociedade musical Ítalo-brasileira.

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