Francisco Glicério de Cerqueira Leite

Francisco Glicério de Cerqueira Leite nasceu em Campinas em 15 de agosto de 1846, filho de Antônio Benedito de Cerqueira Leite e Maria Zelinda da Conceição Cerqueira. De origem humilde, estudou em seminário e iniciou Direito em São Paulo, mas precisou interromper os estudos após a morte do pai. Trabalhou como tipógrafo, revisor e professor, tornando-se advogado provisionado. Casou-se com Adelina Melloni, de origem francesa, e construiu uma família ligada à política e à cultura paulista.

Desde jovem engajou-se no movimento republicano e abolicionista, participando do Clube Radical e da Convenção de Itu em 1873, além de fundar jornais e instituições educacionais e sanitárias em Campinas. Tornou-se um dos principais propagandistas da República, sendo chamado de “encarnação do Partido Republicano Paulista”. Foi vereador em Campinas em 1881 e articulador da campanha republicana durante o Império.

Com a Proclamação da República em 1889, assumiu papel central na organização política, tornando-se vice-presidente de São Paulo e, em seguida, ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas no governo Deodoro da Fonseca. No cargo, promoveu reformas na imigração, colonização, telégrafos, ferrovias, navegação e agricultura. Em 1890 foi eleito deputado constituinte e, depois, deputado federal por São Paulo até 1899, destacando-se como líder da maioria e chefe do Partido Republicano Federal, que articulou a eleição de Prudente de Morais em 1894.

Sua trajetória foi marcada por embates políticos, como a cisão com Prudente e acusações durante o atentado contra o presidente em 1897, das quais se defendeu energicamente. Após breve afastamento, retornou como senador por São Paulo entre 1902 e 1916, liderando novamente a maioria e participando de debates importantes como o Código Civil e o Convênio de Taubaté. Também foi grão-mestre da maçonaria e figura influente na política nacional.

Francisco Glicério faleceu em 12 de abril de 1916, no Rio de Janeiro, aos 69 anos. Seu legado permanece em ruas e avenidas que levam seu nome em diversas cidades, e sua memória está associada à luta republicana e à consolidação da Primeira República no Brasil.

Principal atividade ou função histórica: Política
Nascimento: 15 de agosto de 1846
Falecimento: 12 de abril de 1916
Localização: Quadra  - Cemitério da Saudade, Campinas SP.

Descrição do jazigo: Imponente monumento funerário construído em granito marrom e adornado com elementos em bronze. A estrutura apresenta um estilo arquitetônico clássico e monumental, destacando-se por duas grandes colunas centrais que sustentam um entablamento decorado com um friso em baixo-relevo retratando figuras humanas em uma procissão solene. Na face frontal, há um medalhão circular em bronze com a efígie de Glicério em perfil, posicionado acima de uma base ornamentada com guirlandas esculpidas e uma grande urna decorativa central. O conjunto repousa sobre uma base em degraus geométricos, evidenciando a importância política e histórica do homenageado.


Foto: Li Merlucci




Galeria de fotos: 

Francisco Glicério ajudando a carregar o caixão de Campos Salles em 1913.
Foto: Pró Memória de Campinas/Blog.
Com sua família.

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