Nascido no primeiro dia do ano de 1920, Videlmo carregava no peito uma paixão genuína pelo infinito. Sua jornada nos céus ganhou asas definitivas em 1943, quando obteve seu brevê no tradicional Aeroclube de Jundiaí. O jovem piloto encontrou sua vocação na aviação comercial, ingressando nos quadros da Real Aerovias. Quis o destino que ele estivesse no comando de um Douglas DC-3, de prefixo PP-YPX, na fatídica noite de 17 de setembro de 1951. Aquela aeronave, ironicamente fabricada no mesmo ano em que Videlmo se formara piloto, servira inicialmente às forças armadas americanas na Segunda Guerra Mundial e ostentava um histórico peculiar, tendo inclusive sofrido um acidente anterior em Iguape durante uma missão de socorro. Naquela noite cinzenta, o DC-3 partiu do Rio de Janeiro com destino a São Paulo transportando dez pessoas. À medida que a aeronave avançava, as condições meteorológicas se deterioravam drasticamente, a ponto de a rota ser oficialmente fechada pouco depois das dezoito horas e trinta minutos. Sem o auxílio de radares meteorológicos modernos para desviar das formações severas, o avião adentrou uma densa névoa que ocultava nuvens do tipo cumulonimbus. A turbulência extrema dessas massas de tempestade provavelmente retirou a sustentação ou o controle da aeronave, culminando em um violento impacto seguido de explosão contra as elevações montanhosas de Ubatubamirim, uma região de mata fechada situada entre Paraty e Ubatuba. O desaparecimento da aeronave gerou dois dias de buscas angustiantes até que os destroços fossem finalmente localizados na densa floresta litorânea. O cenário era devastador: a aeronave fora completamente destruída pelas forças do impacto e do fogo, impossibilitando a sobrevivência de qualquer ocupante. O reconhecimento do corpo do Comandante Videlmo Munhoz só foi viabilizado por meio do relógio de pulso que ele utilizava, um triste vestígio material de um tempo que parou abruptamente. Entre as outras nove vítimas da tragédia estavam figuras de grande relevância pública e laços locais, como o também jundiaiense Roberto Lessa, promissor estudante do quarto ano de Direito do Largo São Francisco; Harry Morgen, destacado jogador de futebol do Guarani de Campinas; e Sallisbury Galeão Coutinho, considerado um dos jornalistas mais influentes daquele período. A perda coletiva abalou o país e gerou uma onda de comoção nacional. A notícia do desastre chocou profundamente a população de Jundiaí. Enquanto as homenagens ao acadêmico Roberto Lessa ocorriam na capital paulista, o corpo de Videlmo Munhoz retornava à sua terra natal para as últimas despedidas. Sob forte comoção popular e ao término de sentidas homenagens prestadas por amigos, familiares e admiradores, o jovem comandante de apenas trinta e um anos baixou à sepultura ao meio-dia de uma quinta-feira, 20 de setembro de 1951. Nos dias seguintes, os jornais locais ecoavam a dor da perda e convidavam a comunidade para a missa de sétimo dia na Matriz. O legado e a memória de Videlmo Munhoz permanecem eternizados em Jundiaí. Além de emprestar seu nome a uma rua no bairro do Anhangabaú, o comandante repousa na quadra dez do Cemitério Nossa Senhora do Desterro. No mausoléu imponente erguido em sua memória, placas em alto-relevo retratam de forma tocante a silhueta de um avião chocando-se contra a montanha. Logo abaixo da imagem que ilustra o fim de sua jornada terrena, os dizeres esculpidos na lápide resumem com poesia e reverência a trajetória do piloto que partiu fazendo o que mais amava, gravando na pedra a máxima de sua existência: "Voou para os homens. Voou para o eterno".
Principal atividade ou função histórica: Piloto. Nascimento: 01 de janeiro de 1920 Sepultamento: 17 de setembro de 1951 Localização: Quadra 10 - Cemitério Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí.
Descrição do jazigo: Jazigo em granito construída por uma empresa de aviação em 1951, a sepultura do comandante Videlmo Munhoz possuia dois vasos em bronze que foi furtada em 2014, além de outro enfeite elaborado com a mesma liga metálica.com placas em alto relevo mostram um acidente de um avião se chocando com uma montanha, onde aparece os dizeres: "Voou para os homens...Voou para o eterno."
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