No auge de sua influência, Iria era conhecida como a "Rainha do Café" e respeitada como uma "Coronel de Saia", um título que refletia seu poder econômico e sua capacidade de transitar em ambientes exclusivamente masculinos. Sua relevância ultrapassava as fronteiras de suas terras, mantendo laços estreitos com a cúpula do Partido Republicano Paulista e figuras de destaque como Washington Luís. Entretanto, o prestígio que levou décadas para ser construído foi abalado em 1920 pelo "Crime de Cravinhos". Acusada de ser a mandante do assassinato de seu genro, o francês Alphonse Defforge — que retornara ao Brasil para reivindicar a herança de sua falecida esposa —, Iria viu sua imagem ser transformada pela imprensa da época, que passou a rotulá-la pejorativamente como a "Rainha dos Bandidos".
O escândalo tornou-se um marco na micro-história paulista e um estudo de caso sobre o mandonismo local. Graças à sua idade avançada, sua imensa fortuna e à defesa conduzida por advogados influentes da elite de Ribeirão Preto, Iria nunca foi presa, mas o custo social foi definitivo. O julgamento e a pressão pública corroeram sua reputação nos círculos sociais que antes a reverenciavam. Diante do isolamento e do peso do episódio, ela optou por deixar o interior e se estabeleceu na capital paulista, buscando refúgio no anonimato da metrópole em crescimento.
Iria Alves Ferreira faleceu em São Paulo no dia 20 de novembro de 1927, aos 74 anos. Seu sepultamento na Vila Mariana marcou o fim de uma era de ouro do café e o encerramento da vida de uma mulher que, entre o poder absoluto e a controvérsia criminal, desafiou as convenções de seu tempo. Sua história permanece como um retrato complexo da força feminina na elite agrária, onde a riqueza e a influência política muitas vezes se chocavam com as sombras de conflitos familiares e a justiça da época.
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| Foto: Li Merlucci |
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