Militão Augusto de Azevedo

Militão Augusto de Azevedo foi um dos mais importantes fotógrafos brasileiros do século XIX, pioneiro na documentação urbana de São Paulo e responsável por um acervo de mais de 12 mil imagens que hoje constituem fonte essencial para compreender a transformação da cidade e sua sociedade.

Nascido em 18 de junho de 1837 no Rio de Janeiro e falecido em 24 de maio de 1905 em São Paulo, onde está sepultado no Cemitério da Consolação, Militão iniciou sua carreira como ator, atuando em companhias teatrais como a Joaquim Heliodoro e a Dramática Nacional. Em 1862 mudou-se para São Paulo com o grupo teatral e, paralelamente, começou a trabalhar como retratista no ateliê Carneiro & Gaspar. A experiência no teatro influenciou seu estilo fotográfico, marcado por composições criativas e atenção à expressão dos retratados.

Em 1875, tornou-se proprietário do estúdio, rebatizando-o como Photographia Americana, que se destacou por atender tanto figuras ilustres — como Dom Pedro II, Teresa Cristina, Castro Alves e Joaquim Nabuco — quanto pessoas comuns, incluindo grande número de negros retratados como cidadãos livres, em contraste com a prática predominante da época. O estúdio cobrava preços acessíveis e ficava em frente à Igreja do Rosário, frequentada pela população negra, o que explica a diversidade social registrada em suas imagens.

Militão também se dedicou à fotografia urbana e paisagística. Entre suas obras mais relevantes estão:

  • Álbum de vistas da Cidade de São Paulo (1863)
  • Álbum de vistas da Cidade de Santos (1864–1865)
  • Álbum de vistas da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí (1868)
  • Álbum Comparativo de Vistas da Cidade de São Paulo (1862–1887), lançado em 1887, que comparava imagens da cidade em diferentes épocas, mostrando sua evolução de núcleo provinciano para metrópole do café.

Sua produção foi marcada por inovação técnica: utilizou negativos em vidro de colódio úmido e impressões em papel albuminado, transformando limitações técnicas em soluções estéticas, como o corte dos cantos das imagens. Documentou praticamente toda a extensão urbana de São Paulo, que na época tinha cerca de 25 mil habitantes e 45 ruas, criando um painel visual da sociedade paulistana. Estima-se que tenha produzido cerca de 12.500 retratos, correspondendo a quase um terço da população da cidade.

Apesar do sucesso artístico, enfrentou dificuldades financeiras e vendeu o estúdio em 1885, viajando para a Europa, onde se inspirou nos álbuns fotográficos das cidades europeias. Sua coleção, adquirida pela Fundação Roberto Marinho em 1996, foi doada ao Museu Paulista da USP, garantindo a preservação de seu legado.

Militão foi um artista que uniu sensibilidade teatral à técnica fotográfica, registrando tanto os tipos sociais quanto as transformações urbanas de São Paulo, tornando-se referência incontornável na história da fotografia brasileira.


Principal atividade ou função histórica: Fotógrafo pioneiro
Nascimento: 18 de junho de 1837
Falecimento: 24 de maio de 1905
Localização: Rua 54, Terreno 29 - Cemitério da Consolação, São Paulo.

Descrição do jazigo: Apresenta uma base retangular construída em alvenaria, cuidadosamente revestida e ornamentada com argamassa. Na parte frontal, destacam-se quatro compartimentos funerários, semelhantes a gavetas, cada um fechado por tampo de mármore onde estão gravados os nomes dos sepultados, funcionando como lápides. Diferente da maioria dos sepultamentos tradicionais, esse modelo segue uma padronização própria, conferindo ao conjunto uma aparência singular. Sobre a base ergue-se uma estrutura que lembra uma pequena capela, marcada nas faces pelas letras Alfa e Ômega, símbolos do início e do fim, e coroada por uma cruz latina, que finaliza a composição e reforça o caráter religioso e monumental do túmulo.

 


Galeria de fotos:

Benedita Maria dos Santos Pedroso Companheira de Militao. Acervo: Museu Paulista.
Acervo do Museu Paulista da USP, 1879.
Acervo do Museu Paulista da USP, 1865.
Acervo do Museu Paulista da USP, 1865.
Fotografia Post Mortem, cerca de 1879.
Acervo do Museu Paulista da USP, 1880.
Livro: Vistas da Estrada de Ferro de S. Paulo em 1865.
Construção da Estrada de Ferro Santos – Jundiaí, cerca 1864.
Grande Viaduto da Grota Funda São Paulo cerca 1864.
Igreja da Misericórdia 1862-63

Câmara e cadeia de Santos c 1864.
Porto de Santos.
Correio Paulistano, 30 de maio de 1905.
Retrato de D. Pedro II, cerca de 1870.
Retrato da Marquesa de Santo.
Retrato de Luíz Gama.

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