A família Coluccini, originária da Toscana, Itália, chegou ao Brasil na década de 1910 trazendo consigo a tradição do trabalho em mármore e pedra. Primeiro se estabeleceram em São Paulo, mas logo fixaram residência em Campinas, onde os irmãos Alfredo (1886–1951), Giuseppe (1888–1934) e Pietro fundaram a Marmoraria Irmãos Coluccini. A empresa tornou-se referência na produção de túmulos e monumentos funerários, atendendo Campinas e região com obras que iam do estilo art déco ao moderno. Em 1936, após a morte de Giuseppe, a firma passou a se chamar Alfredo Coluccini & Cia, mantendo a tradição familiar e registrando inúmeros pedidos de autorização no Arquivo Histórico Municipal de Campinas.
Entre os descendentes, destacou-se Lélio Coluccini, filho de Alfredo. Nascido em Valdicastello, Toscana, em 3 de dezembro de 1910, veio ao Brasil ainda criança. Desde cedo demonstrou talento artístico: aos sete anos já modelava em argila e aos nove produziu uma cabeça de Cristo que impressionou críticos. Em 1924 retornou à Itália para estudar no Istituto d’Arte Stagio Stagi, em Pietrasanta, formando-se em 1931. Nesse mesmo ano regressou ao Brasil e montou seu ateliê em Campinas, próximo à marmoraria da família. Sua obra revela uma fusão entre tradição e modernidade, transitando entre o neoclássico, o modernista e o decorativo. Trabalhou com mármore de Carrara, bronze e latão, criando esculturas de traços estilizados e formas alongadas. No campo funerário, especialmente no Cemitério da Saudade, suas obras abordam temas como dor, fé e eternização, mesclando referências sacras com elementos modernos.
Além da arte tumular, Lélio deixou importantes obras públicas: Ninando a boneca na Praça da República em Campinas, A Caçadora no Parque do Ibirapuera em São Paulo, o Monumento John Kennedy em Campinas, o Monumento ao Bicentenário da cidade e o Monumento ao Imigrante. Participou de exposições marcantes, como a mostra de 1936 no Centro de Ciências, Letras e Artes de Campinas e a I Exposição de Arte Contemporânea no Teatro Municipal Carlos Gomes em 1957, consolidando-se como figura central na vida cultural campineira. Em sua vida pessoal, casou-se em 1937 com Luísa Ippoliti, com quem teve a filha Maria Helena. Após a separação, retornou a Campinas e, em 1954, casou-se com Conceição Freire, mãe de seu filho Alfredo Lélio. Faleceu em Campinas em 24 de julho de 1983.
A trajetória da família Coluccini mostra como a tradição artesanal herdada da Toscana se transformou em expressão artística no Brasil. A marmoraria fundada pelos irmãos e a obra escultórica de Lélio Coluccini contribuíram decisivamente para o patrimônio cultural de Campinas e São Paulo. Ao unir técnica refinada, sensibilidade estética e compromisso com a memória, os Coluccini deixaram um legado que permanece vivo nos cemitérios monumentais e nos espaços públicos, sendo reconhecidos como parte fundamental da história da escultura brasileira no século XX.
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| Alguns celos que encontrei no Cemitério da Saudade. |













































































































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