Thomas Archibald Scott

Thomas Archibald Scott foi um dos grandes pilares da introdução do futebol e do desenvolvimento técnico ferroviário no interior paulista, deixando um legado que une as cidades de Campinas e Jundiaí. Nascido na Escócia em 20 de outubro de 1865 — com registros que divergem entre Dundee e Glasgow como sua cidade natal —, Scott imigrou para o Brasil no final do século XIX. Contratado pela Companhia Paulista de Estradas de Ferro, ele se estabeleceu inicialmente em Campinas, onde sua paixão pelo esporte britânico floresceu. Sua contribuição foi fundamental para a fundação da Associação Atlética Ponte Preta em 1900, hoje reconhecida como o clube de futebol mais antigo do país em atividade ininterrupta.

A trajetória de Scott cruzou-se definitivamente com a história de Jundiaí em 1902, quando uma severa epidemia de febre amarela em Campinas forçou a Companhia Paulista a transferir suas oficinas e sua administração. Estabelecido na cidade como contramestre das oficinas — cargo de alta responsabilidade gerencial —, ele já possuía laços locais, tendo participado da fundação do Grêmio CP em 1900. Em solo jundiaiense, sua veia esportiva o levou a fundar o Jundiahy Football Club e, posteriormente, em 1909, ele foi peça central na criação do Paulista Futebol Clube, integrando sua primeira diretoria e consolidando a prática do futebol na região.

No âmbito profissional, Thomas Archibald Scott viveu momentos memoráveis, como durante a greve dos ferroviários de 1906. Naquela ocasião, ele e Luiz Prado, filho do dirigente da ferrovia Antônio Prado, operaram um trem especial entre Jundiaí e Campinas, enfrentando táticas inusitadas dos grevistas, que chegaram a passar sabão nos trilhos para impedir a subida da locomotiva. Especula-se que sua residência ficava em um casarão histórico na esquina das ruas Prudente de Moraes e Siqueira de Moraes, imóvel que décadas mais tarde seria vendido por seus herdeiros ao Lar Anália Franco antes de ser demolido.

A vida familiar de Scott foi compartilhada com Helen Cowie Scott, com quem teve oito filhos, sendo sete homens e uma mulher, Nelly. O pioneiro escocês faleceu precocemente em 5 de fevereiro de 1913, seguido por sua esposa no ano seguinte. Ambos repousam na quadra 10 do Cemitério Nossa Senhora do Desterro, em Jundiaí, em um túmulo que ainda hoje desperta curiosidade pelas suas inscrições em inglês, servindo como um marco físico da presença britânica e da dívida histórica que o esporte paulista possui com seu trabalho à frente da Ponte Preta, do Grêmio CP e do Paulista.


Nascimento: 12 de junho de 1864
Data de Falecimento: 20 de janeiro de 1914
Localização: Quadra 10 - Cemitério Nossa Senhora do Desterro, Jundiaí.

Descrição do jazigo: Sepultura é inteiramente branca e cercada por um gradil, transmitindo sobriedade e imponência. O elemento central é a escultura de uma pilastra quebrada ao meio, símbolo clássico da interrupção da vida, que reforça o caráter memorial da obra. As inscrições em inglês gravadas na lápide chamam a atenção, especialmente a frase “nem a morte os separa”, que confere ao conjunto uma dimensão poética e emocional, tornando o túmulo marcante para quem passa pelo local.



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