Joaquim Ferreira Penteado - Barão de Itatiba

Joaquim Ferreira Penteado, o Barão de Itatiba, foi uma das figuras mais proeminentes da elite paulista do século XIX, cuja vida sintetiza a transição entre a tradição dos capitães-mores e o dinamismo da burguesia cafeeira. Nascido em São Roque, em 10 de fevereiro de 1808, era filho único do capitão-mor de São Carlos, Inácio Ferreira de Sá, e de Delfina de Camargo Penteado. Sua estrutura familiar era complexa, marcada por laços de parentesco próximos e múltiplos casamentos de sua mãe, que o ligaram a importantes clãs como os Novais e os Camargo Penteado.

Aos 22 anos, Joaquim mudou-se para Campinas, onde se tornou um fazendeiro abastado e influente. Foi proprietário de importantes propriedades agrícolas, como a Fazenda Cabras (em cuja área hoje se localiza o Lar dos Velhinhos) e a Fazenda Duas Pontes. Sua residência urbana, o imponente Palácio dos Azulejos, construído em 1878 no cruzamento das ruas do Pórtico e Regente Feijó, tornou-se um marco arquitetônico. Revestido com azulejos portugueses, o solar refletia seu prestígio e, após sua morte, serviu como Fórum e sede da Prefeitura de Campinas por décadas, sendo hoje tombado pelo IPHAN e sede do Museu da Imagem e do Som.

O Barão de Itatiba destacou-se sobretudo por seu compromisso com a educação. Em 15 de maio de 1880, fundou a Escola do Povo (mais tarde Escola Ferreira Penteado), uma instituição de instrução primária gratuita voltada para meninos pobres. Foi justamente por esses serviços prestados à instrução pública que recebeu o título de Barão de Itatiba em 1882, além da condecoração como Comendador da Imperial Ordem da Rosa. tamanha era sua importância que, ainda em vida, a antiga Rua do Pórtico teve seu nome alterado para Rua Ferreira Penteado por indicação de Francisco Glicério.

Casado com sua prima Francisca de Paula Camargo, Joaquim teve 13 filhos, perpetuando sua influência através de descendentes como o Barão de Ibitinga e Elisiário Ferreira de Camargo Andrade. Faleceu em 6 de junho de 1884, aos 76 anos, sendo sepultado no Cemitério de Campinas, cuja gleba de terra fora fruto de sua própria doação. Em seu testamento, demonstrou uma preocupação final com sua obra social: incluiu uma cláusula obrigando seus descendentes a manterem a Escola do Povo em pleno funcionamento, desejo que foi honrado com a dedicação contínua da Baronesa de Itatiba após sua partida.

Principal atividade ou função histórica: Cafeicultor, social.
Nascimento: 10 de fevereiro de 1808
Falecimento: 6 de junho de 1884
Localização: Quadra  - Cemitério da Saudade, Campinas Sp.

Descrição do jazigo: Construção neoclássica de grande imponência. Ele se caracteriza pela forma retangular com parte central elevada, colunas e ornamentos em mármore, além de relevos decorativos e inscrição em números romanos de 1873. A porta metálica trabalhada e a base com degraus reforçam sua monumentalidade.


Foto: Li Merlucci.


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