A trajetória de Haydée, contudo, desdobrou-se na arquitetura dos sons. Ao longo de sua vida, ela demonstrou uma versatilidade criativa impressionante, compondo um total de 142 obras que transitaram entre o erudito e o popular, incluindo valsas, marchas e baiões. Sua sensibilidade literária a levou a musicar versos de gigantes da literatura brasileira, como Olavo Bilac e Guilherme de Almeida, elevando a poesia nacional através de suas melodias. Sua presença era constante na vida cívica e religiosa, sendo a autora dos hinos de escolas tradicionais, como o Conde de Parnaíba e o Siqueira de Moraes, além de composições sacras para diversas paróquias, com destaque para o Hino de Nossa Senhora do Desterro, padroeira de sua terra natal.
O ápice de seu reconhecimento público deu-se com a criação do Hino Oficial de Jundiaí, obra que sintetiza a identidade e o orgulho do povo jundiaiense e que permanece como um dos maiores símbolos oficiais do município. Através dessa composição, a professora Haydée conseguiu imortalizar o espírito da cidade em uma melodia que atravessa gerações, sendo executada em todos os momentos solenes da história local. Sua dedicação ao ensino da música também foi fundamental para a formação de inúmeros talentos, consolidando seu papel como uma mestra que educava tanto pela técnica quanto pela inspiração.
Haydée Dumangin Mojola faleceu em 4 de dezembro de 1965, mas sua voz artística continua ecoando toda vez que o hino da cidade é cantado. Ela deixou um legado que une a precisão técnica herdada da disciplina de seu pai à doçura das notas que compôs. Mais do que uma professora, ela foi a regente de uma parte essencial da alma cultural de Jundiaí, sendo recordada hoje como a mulher que deu melodia à história e à fé de sua comunidade.






Nenhum comentário:
Postar um comentário