Marcelino Velez

Marcelino Velez nasceu em 16 de agosto de 1883, na cidade de Campinas, e faleceu em 26 de janeiro de 1952, em São Paulo. Foi escultor, desenhista e professor, integrando uma geração de artistas que atuaram na transição entre o academicismo do século XIX e as transformações estéticas do início do século XX no Brasil. Sua trajetória revela a combinação entre formação artística tradicional, prática artesanal e dedicação ao ensino, elementos que marcaram profundamente sua produção e seu legado.

Filho do escultor Patrício Velez, Marcelino cresceu em um ambiente diretamente ligado às artes. Iniciou seus estudos em São Paulo, frequentando o Liceu Coração de Jesus e, posteriormente, a Escola Normal Caetano de Campos, onde teve seus primeiros contatos com os fundamentos do desenho e da escultura. Essa formação inicial foi decisiva para o desenvolvimento de suas habilidades técnicas, especialmente no domínio do desenho acadêmico, base essencial para a prática escultórica.

Em 1905, seu pai inaugurou uma marmoraria na rua Dr. Campos Sales, nº 31, espaço que se tornaria fundamental para a formação prática de Marcelino. Nesse ateliê, ele aprofundou seus estudos de desenho e escultura, conciliando o aprendizado técnico com a execução de trabalhos encomendados, sobretudo ligados à arte funerária. A marmoraria funcionava como escola e oficina, permitindo a transmissão direta de conhecimentos entre gerações, um modelo bastante comum entre escultores da época.

Sua primeira grande projeção pública ocorreu em 1912, quando realizou uma exposição no Centro de Ciências, Letras e Artes. O sucesso dessa mostra lhe garantiu o Patronato Artístico do Estado de São Paulo, apoio que lhe possibilitaria continuar seus estudos no exterior. Com esse incentivo, embarcou para a Itália, estabelecendo-se em Nápoles, importante centro de formação artística. Contudo, a eclosão da Primeira Guerra Mundial interrompeu seus planos, obrigando-o a retornar ao Brasil antes de concluir plenamente sua formação europeia.

De volta a Campinas, Marcelino manteve sua atividade artística e, em 1922, apresentou no Teatro Municipal de Campinas o único trabalho de pintura que tornaria público, episódio singular em sua carreira predominantemente voltada à escultura. Apesar dessa incursão pontual na pintura, permaneceu fiel à linguagem tridimensional, na qual alcançou maior reconhecimento.

Paralelamente à produção artística, desenvolveu uma longa e significativa carreira no magistério. Tornou-se professor de desenho pedagógico na Escola Normal de Campinas, onde lecionou por 33 anos. Sua atuação como educador foi fundamental para a formação de diversas gerações de professores e artistas, difundindo os princípios do desenho acadêmico e da observação como base do ensino artístico.

Ao longo de sua vida, Marcelino Velez produziu um conjunto expressivo de obras que inclui esculturas tumulares, monumentos públicos, bustos e medalhões. Sua produção insere-se na tradição acadêmica, com forte preocupação com a fidelidade anatômica e a clareza formal, características herdadas de sua formação e de sua experiência no ateliê familiar. Entre suas obras de maior destaque está o Monumento ao Soldado Constitucionalista, que evidencia seu domínio técnico e sua capacidade de traduzir valores cívicos e históricos em linguagem escultórica.

A trajetória de Marcelino Velez reflete o percurso de um artista profundamente ligado ao seu tempo, que soube equilibrar tradição e prática profissional com o compromisso educacional. Sua obra, dispersa em espaços públicos e cemitérios, permanece como testemunho de uma produção artística que valorizava a memória, a identidade e a permanência simbólica, consolidando seu nome entre os escultores que contribuíram para a paisagem cultural paulista na primeira metade do século XX.


Principal atividade ou função histórica: Escultor
Nascimento: 16 de agosto de 1883
Falecimento: 26de janeiro de 1952
Localização: Quadra 12 - Cemitério da Saudade, Campinas.

Descrição do jazigo: Monumento de grande valor histórico, pois pertence aos próprios marmoristas responsáveis pela tradicional Marmoraria Vélez. Construída em mármore de Carrara no estilo eclético, ocupa dois jazigos e reúne nove placas com nomes e datas da família, registrando informações sobre Patrício Vélez, sua esposa Dona Manoela e seus descendentes.

O conjunto é ricamente ornamentado com símbolos funerários: flores como íris (sofrimento da Virgem) e girassóis (devoção e eternidade), uma cruz latina, a Alegoria da Ressurreição, além do busto em bronze de Patrício Vélez, acompanhado de epitáfio que exalta sua habilidade como escultor. Há também um livro aberto com o retrato de Dona Manoela e versos em sua homenagem.


Foto: Li Merlucci



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