Como cenógrafo, arquiteto e pintor, Império foi fundamental para a renovação da linguagem teatral no Brasil. Ao lado de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, foi um dos pilares do Teatro de Arena, onde ajudou a revolucionar a relação entre palco e plateia. Entre suas criações mais emblemáticas no Arena estão as cenografias de "Zumbi", "Os Fuzis da Senhora Carrar" e "Arena Conta Tiradentes". Sua atuação também se estendeu ao Teatro Oficina, e foi em 1968 que causou um verdadeiro furor cultural com o espetáculo "Roda Viva", dirigido por Zé Celso Martinez Corrêa. Os espaços e figurinos provocadores que criou para a peça não apenas desafiavam a estética da época, mas também refletiam seu compromisso com a vanguarda e a contestação política, o que o levou a ser preso pela ditadura militar.
Na década de 70, Flávio Império expandiu sua genialidade para o cenário musical, sendo o responsável por visualidades que se tornaram históricas na MPB. Ele assinou a cenografia de shows memoráveis, como "Rosa dos Ventos", de Maria Bethânia, e o lendário "Falso Brilhante", de Elis Regina, onde a integração entre luz, espaço e performance elevou o conceito de show musical no país. Seu trabalho era marcado por uma busca incessante pelo "novo", utilizando materiais muitas vezes simples para criar ambientes de grande impacto visual e profundo significado poético.
Sua partida prematura ocorreu em 7 de setembro de 1985, em São Paulo, às vésperas de completar 50 anos. Vítima de uma infecção bacteriana nas meninges decorrente de complicações da Aids, Flávio Império deixou uma lacuna imensa nas artes brasileiras. Ele é lembrado hoje como um artista total, que não via fronteiras entre a construção de uma cidade e a construção de um palco, e cuja obra permanece como um testemunho da resistência e da criatividade humana diante das pressões de seu tempo.
Principal atividade ou função histórica: Cultura
Nascimento: 19 de dezembro de 1935
Falecimento: 7 de setembro de 1985
Localização: Quadra 134, Terreno 31 - Cemitério da Consolação, São Paulo.
Descrição do jazigo: O túmulo é construído em granito marrom, com um portal frontal em bronze onde aparece o nome do artista. Acima, uma segunda base em forma de cruz sustenta uma impressionante escultura em bronze: um anjo de grandes asas, com semblante sereno e voltado ao infinito. Nos braços, ele carrega uma figura feminina desfalecida, com a cabeça reclinada para trás. A representação do anjo em voo simboliza o “Mensageiro de Deus”, conduzindo a alma do falecido para os céus. A obra, de autoria de Enrico Bianchi, foi produzida na Fundição R. de Mingo.
| Foto: Li Merlucci |



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