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| Marcellino Veléz |
A trajetória artística de Patrício Vélez e seu filho Marcellino Vélez representa um capítulo fundamental da arte tumular e do desenvolvimento cultural de Campinas entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX. Patrício Vélez, nascido na Espanha em 17 de março de 1851, trouxe da Europa o domínio das técnicas tradicionais de talha em pedra e mármore, estabelecendo-se no Brasil como um dos principais escultores ligados à tradição das marmorarias. Sua atuação coincidiu com o auge da economia cafeeira em Campinas, período conhecido como a "belle époque" dos cemitérios, em que a elite burguesa buscava padrões europeus para expressar sentimentos de luto e status social. O trabalho de Patrício é caracterizado pelo estilo eclético e pela estética acadêmica, com figuras esculpidas predominantemente em mármore de Carrara, apresentando grande atenção à anatomia, detalhamento nas vestes e uma temática voltada à representação simbólica da espiritualidade por meio de anjos e alegorias detalhadas. Sua presença profissional estendeu-se também a São Paulo, onde atuou em sociedade com o Sr. Guerra, conforme indicam as assinaturas "P. Vélez e Guerra" encontradas em diversos monumentos nos cemitérios da Saudade e do Santíssimo Sacramento da Catedral.
Após o falecimento de Patrício em Campinas, no dia 3 de março de 1915, seu filho Marcellino Vélez assumiu o legado da família. Nascido em Campinas em 16 de agosto de 1883, Marcellino deu continuidade ao ofício na oficina localizada na Rua Campos Salles, 33, mas imprimiu uma marca própria que refletia as transformações da sociedade brasileira na transição do modelo agrário-aristocrático para o urbano-industrial. Enquanto a obra do pai era marcada pela exuberância e pelo mármore importado, a produção de Marcellino acompanhou a mudança de mentalidade da época, adotando uma simplificação formal e a predominância do estilo Art Déco.
Seus túmulos, identificados por placas de metal e registros municipais, passaram a utilizar materiais como o granito e outros tipos de mármore, com um simbolismo religioso mais direto focado em imagens de Cristo e santos. Além da produção funerária, Marcellino expandiu sua atuação para monumentos públicos de destaque, como o Monumento ao Dr. Thomaz Alves, inaugurado em 1925 na Praça Carlos Gomes, que utiliza alegorias celebrativas para enaltecer valores cívicos. Marcellino Vélez faleceu em sua cidade natal em 26 de janeiro de 1952, encerrando uma linhagem que não apenas produziu arte, mas que serviu como testemunho visual das mudanças estéticas e sociais de Campinas ao longo de décadas.
A herança artística de Patrício e Marcellino Vélez transcende a frieza do mármore e do granito, consolidando-se como um registro sensível da história de Campinas. Enquanto o pai imortalizou em estilo clássico a opulência e a espiritualidade de uma era dourada, o filho soube traduzir a transição para a modernidade, adaptando a arte às novas realidades urbanas e industriais. Juntos, os Vélez não apenas ergueram monumentos à memória dos mortos, mas construíram um patrimônio cultural vivo que, até hoje, silencia o tempo e preserva a identidade artística do interior paulista nos detalhes de suas esculturas e na sobriedade de seus traços.
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Assinatura de Patrício e selo de Marcellino no Cemitério da Saudade em Campinas/SP. |
Algumas de suas obras que encontrei de PATRÍCIO VELÉZ no Cemitério da Saudade em Campinas/SP:
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| Amélia Auriliana de Souza Aranha (1863) |
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| Anna Francelina de Camargo (1885) |
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| Francisco de Paula Camargo (1905) |
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| Família Genoud (1889) |
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| Família Veléz (1889) |
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| Família Paula Bueno |
Algumas de suas obras que encontrei de MARCELLINO VELÉZ no Cemitério da Saudade em Campinas/SP:
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| Antônio Ferreira (1929) |
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| Francisco Rodrigues do Prado |
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| Gabriel Pereira de Andrade |
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| Hermosira Duarte A. de Souza Camargo |
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| Doutor João de Freitas |
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| José de Paula Souza |
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| Família Manga |
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| Manoel Pereira Ribeiro |
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| Manoel Rosa |
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| Maria Agostinho Lisboa (1925) |
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| Mário Sidow |
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| Sophia da Costa |
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| Família Tibiriçá |
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| V. Fernandes |
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| Sem identificação |
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Mausoléu dos Voluntários da Revolução de 32 (1935).
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Algumas de suas obras que encontrei de MARCELLINO VELÉZ no Cemitério Nossa Senhora do Desterro em Jundiaí/SP:
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| Leonardo Cavalcanti (1925) |
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| Prof. Luíz Fellipe da Rosa (1930) |
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