sábado, 28 de fevereiro de 2026

Fotografia Post Mortem

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No final do século XIX, na chamada Era Vitoriana, surgiu a prática da fotografia post mortem, que consistia em registrar os mortos para guardar uma lembrança. Muitas vezes, essas imagens eram o único retrato existente de um ente querido e serviam como conforto para a família. A fotografia, naquela época, era cara, mas ainda assim era a forma mais acessível de imortalizar a memória dos falecidos. Essas fotos costumavam ocupar lugares de destaque nas salas de visita. A expectativa de vida era baixa e a mortalidade, principalmente de mulheres no pós-parto e de crianças, era elevada, o que tornava essa prática comum.

Com os avanços da tecnologia e a invenção do daguerreótipo em 1837, apenas famílias mais abastadas podiam contratar fotógrafos e ateliês especializados. Muitas vezes, montava-se uma cena com equipamentos para imobilizar o corpo, além de usar maquiagem para disfarçar os efeitos cadavéricos — pintando bochechas e até olhos sobre as pálpebras. As crianças eram frequentemente fotografadas sentadas com seus brinquedos ou junto aos pais; os bebês, como se estivessem dormindo; e os adultos, em poses elaboradas, sentados ou em pé.

Apesar do trabalho para posicionar os corpos e disfarçar a morte, fotografá-los era relativamente simples. As câmeras da época exigiam longa exposição, e como o falecido permanecia imóvel, sua imagem saía nítida. Já os parentes vivos, que posavam ao lado, muitas vezes apareciam tremidos.

Também existiam registros de animais de estimação mortos, embora muito mais raros, já que apenas famílias muito ricas podiam custear esse tipo de lembrança. Muitos acreditavam que, por meio da fotografia, a alma do ente querido permaneceria viva para sempre naquele pedaço de papel.

Com a popularização da fotografia, a prática foi sendo abandonada, mas ainda hoje, ocasionalmente, algumas pessoas recorrem a ela para preservar uma última imagem de seus amados. O que hoje nos parece assustador, de mau gosto ou macabro, era visto na Europa do século XIX como algo comum e até necessário. Essas fotografias funcionavam como uma forma de negar a morte e manter viva a presença dos que partiram.

E você? O que achou dessa história? Conte aqui nos comentários, obrigada e até a próxima!

(Texto: LiMerlucci)

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