terça-feira, 5 de maio de 2026

O Mausoléu dos Revolucionários de 1932

O Mausoléu dos Revolucionários de 1932, situado logo na entrada do Cemitério da Saudade, em Campinas, é mais do que uma construção funerária: trata-se de um marco de memória coletiva e de identidade paulista. Erguido para homenagear os voluntários campineiros que participaram da Revolução Constitucionalista de 1932, o monumento carrega consigo o peso de um dos episódios mais significativos da história política do Brasil no século XX.

A Revolução de 1932 foi um levante armado liderado pelo estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas, motivado pelo desejo de restabelecer a ordem constitucional no país. Em meio a esse cenário de tensão e luta, dezenas de campineiros se alistaram voluntariamente, movidos por ideais de liberdade, legalidade e autonomia. Muitos deles não retornaram. O mausoléu, inaugurado em 9 de julho de 1935, passou então a abrigar os restos mortais de 34 desses combatentes, transformando-se em um espaço de reverência e lembrança permanente.

A construção do monumento foi viabilizada por iniciativa privada, demonstrando o forte engajamento da sociedade local com a causa. O projeto foi escolhido por meio de concurso público promovido pela prefeitura, consagrando o escultor Marcellino Vélez, cuja obra em bronze se destaca como elemento central do conjunto. A execução ficou a cargo da construtora liderada por Lix da Cunha, enquanto os versos gravados no mausoléu foram escritos pelo poeta Guilherme de Almeida, um dos grandes nomes da literatura paulista e também participante ativo da revolução.

A inscrição poética eternizada no monumento revela o espírito simbólico da obra: não se trata de um túmulo, mas de um “berço” e uma “sementeira” de ideais. A morte dos combatentes é ressignificada como origem de um futuro, como marco de resistência e continuidade. A bandeira paulista, petrificada em forma artística, representa a permanência desses valores no tempo, enquanto a ideia de que “esta morte é vida” reforça o caráter quase sagrado da memória ali preservada.

Até hoje, o mausoléu permanece como um espaço de celebração cívica. Datas comemorativas, especialmente o 9 de julho, reúnem autoridades e cidadãos em cerimônias que reafirmam o legado daqueles que lutaram. Assim, o monumento não apenas guarda os mortos, mas mantém viva a história, funcionando como elo entre passado, presente e futuro — um verdadeiro símbolo de resistência, identidade e memória coletiva paulista.

Inauguração: 9 de julho de 1935
Escultor: Marcellino Velez
Localização: Entrada - Cemitério da Saudade, Campinas.

Descrição do mausoléu: composição arquitetônica de caráter monumental, marcada por influência clássica e linguagem eclética típica das primeiras décadas do século XX. Estruturado em base elevada, o conjunto é organizado de forma simétrica, com volumes bem definidos e proporções equilibradas que conferem solenidade à obra. A construção utiliza predominantemente pedra, com acabamento robusto e durável, reforçando a ideia de permanência e memória.

No centro da composição destaca-se o elemento escultórico em bronze concebido por Marcellino Vélez, que atua como eixo visual e simbólico do monumento. A arquitetura dialoga diretamente com a escultura, integrando-a ao conjunto por meio de um embasamento que valoriza sua verticalidade. Elementos como relevos, inscrições e a disposição ordenada das superfícies contribuem para um ritmo visual sóbrio, sem excessos ornamentais, aproximando-se de uma estética austera e memorialista.

A linguagem formal remete ao classicismo simplificado, com forte preocupação na clareza estrutural e na leitura simbólica do espaço. A solidez dos materiais, a organização axial e a integração entre arquitetura e escultura conferem ao mausoléu um caráter atemporal, onde a arte é utilizada como meio de exaltação cívica e perpetuação da memória histórica ligada à Revolução Constitucionalista de 1932.






Galeria de fotos:

Postal campanha de sua construção,1932.
Foto de 1945.
Fonte: atom.cmu.unicamp.br 
Foto entre 1940 e 1949. Fonte: atom.cmu.unicamp.br

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